Olho D'água do Borges/RN -

Brasil: a democracia dos incautos

 

A cada dois anos o Brasil inteiro se mobiliza para participar de eleições. Eleições essas que deveriam ser o ápice da democracia, expresso nos discursos enfadonhos dos liberais e até de vastos setores da esquerda. Democracia dos fingidos. Democracia dos otários. Os que falam em democracia, sempre se revelam ignorantes, até mesmo para dizer o que é, de fato democracia. Gaguejam e falam sobre uma tal “democracia representativa”, baseada no pensamento liberal do século XIX e que é totalmente inócuo, numa sociedade em que a concentração de renda e a centralização de capitais exclui milhões do farto banquete dos lucros e principalmente dos juros, que alimenta o capital financeiro. E o mais patético é continuar achando que essas eleições bianuais tem relação com um conceito de democracia em que as massas trabalhadoras teriam, de fato, acesso à riqueza, teriam educação e saúde que os tornasse cidadãos e não consumidores.

As eleições desse ano, chamada de “gerais”, será um momento de mobilização de 58.072 vereadores e 5.569 prefeitos, para eleger 27 governadores, 1.059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 54 dos 81 senadores e 1 um presidente e afetará os 5.569 municípios, desde o menor município do país em termos de população, Serra da Saudade, com suas 830 almas, localizada no centro oeste de minas Gerais, até a maior concentração de pessoas num único município, São Paulo, com cerca de 11,9 milhões de habitantes, mais de 14 mil vezes maior que a pequena Serra da Saudade.

Por isso muitos dizem que estamos entre as maiores democracias do mundo. Nesse imenso “festival democrático”, quanto efetivamente se gasta nessas eleições? Na nossa bela democracia temos um “fundo eleitoral”, que distribuiu já esse ano, R$ 4,9 bilhões, de maneira proporcional às suas representações no Senado e na Câmara de Deputados, que é distribuído para os 30 partidos registrados no TST e, por isso, PL e PT receberão cerca de 30% desse fundo. Portanto, de partida, a “democracia representativa” já começa torta.

Mas quanto, efetivamente, se gasta nessas eleições? Acho que nem Deus sabe, embora nas eleições municipais de 2024 os recursos totais, incluindo o Fundo Eleitoral, somaram R$ 13,3 bilhões, sendo que a doação de pessoas físicas foram cerca de R$ 2 bilhões. Existe também a chamada “vaquinha virtual”, no qual. os deputados podem arrecadar por esse instrumento, que é dirigido ao eleitor de maneira geral. Em 2024 esse valor chegou a ínfimos R$ 7,8 milhões, ou seja, 0,06% do total gasto.

Potiguar Noticias

 

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