A Corte de Apelação de Catanzaro, na Itália, negou o
pedido de extradição de Eduardo de Oliveira Tagliaferro, ex-assessor do
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão,
proferida em 29 de abril de 2026 e divulgada nesta segunda-feira (26), apontou
dúvidas sobre a imparcialidade do processo no Brasil e revogou a proibição de
Tagliaferro deixar o território italiano. Os magistrados também determinaram a
devolução dos documentos de identidade e passaportes retidos.
Segundo a corte, Moraes atuou em diferentes etapas da investigação,
incluindo a condução da apuração, a análise de provas e a adoção de medidas
restritivas contra Tagliaferro. Para os magistrados italianos, essa
sobreposição de funções comprometeria a aparência de imparcialidade,
especialmente porque as revelações atribuídas ao ex-assessor também atingiam o
ministro. A decisão considerou ainda de natureza política a acusação de
tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e apontou
riscos ao direito de defesa.
O caso ganhou repercussão após o vazamento de mensagens
trocadas entre integrantes do gabinete de Moraes sobre a produção de relatórios
relacionados a críticos do Judiciário e pessoas ligadas ao ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL). Tagliaferro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República
(PGR) por quatro crimes, e a Primeira Turma do STF recebeu a denúncia em
novembro de 2025. A recusa da extradição, porém, não representa absolvição das
acusações no Brasil. Moraes nega irregularidades nos procedimentos relacionados
às mensagens.
Com informações da Gazeta do Povo

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