Ministros do Supremo e integrantes da gestão Lula
discordam da apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro.
Quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
consideram equivocada a ordem de Alexandre de Moraes para apreender o
passaporte do senador Flávio Bolsonaro.
A decisão saiu na noite de domingo, 25, no mesmo dia em
que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a derrota do parlamentar na
eleição presidencial.
Dois dos magistrados críticos integram a ala da corte
mais próxima de Moraes. Eles avaliam que a medida
foi tomada com pressa e sem fato concreto que a justificasse.
Parte do governo Lula também vê problema na data escolhida.
A ordem e a execução
Segundo a colunista Malu Gaspar, a Polícia Federal (PF)
pediu a apreensão sete minutos depois de o TSE confirmar o resultado. Moraes
aceitou o pedido na mesma noite, sem consultar antes a Procuradoria-Geral da
República (PGR).
A PF cumpriu a ordem na manhã de segunda-feira, 26.
Flávio visitava o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão
domiciliar.
Moraes apoiou a decisão em três elementos. O primeiro é
uma declaração de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, de que Flávio deveria
deixar o Brasil se fosse derrotado. O segundo são fotografias de Flávio ao lado
do advogado Willer Tomaz, que indicariam a amizade entre os dois.
O terceiro é uma conta bancária ligada a Tomaz na qual o
senador aparece como “usuário master”. Dados do banco enviados à PF, no
entanto, negam que Flávio seja usuário da conta.
Reações ao despacho
Os ministros do STF que criticam a decisão afirmam que
ela alimenta o discurso de perseguição política que Eduardo já tenta difundir
sobre a família. Eles esperam que o argumento ganhe força caso o senador deixe
o país.
O governo dos Estados Unidos já informou que fornecerá
documentos para que Flávio e seus parentes permaneçam em território americano.
Integrantes do governo Lula dividem a avaliação sobre o
momento da ordem. Para esse grupo, a apreensão feita logo após a derrota nas
urnas pode gerar confusão, porque a decisão judicial não tem relação com a
eleição.
O Antagonista.

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