É um precedente preocupante.
Em vez de responder às informações divulgadas pela imprensa — inclusive
explicar por que não forneceu as senhas dos aparelhos apreendidos pela Polícia
Federal —, a campanha prefere levar o jornalista à Justiça. Se a informação incomoda, por
que não esclarecer os fatos em vez de tentar impedir que sejam divulgados?
Dinarte Assunção é um dos jornalistas mais atuantes do
Rio Grande do Norte e tem acompanhado de perto operações policiais e
investigações de interesse público. No caso da Operação Mederi, existem fatos
que não podem ser apagados simplesmente porque são politicamente
inconvenientes: Allyson foi alvo de busca e apreensão em sua residência, é
apontado como um dos principais alvos da investigação, teve equipamentos
eletrônicos apreendidos e, segundo documentos divulgados pela imprensa, não
forneceu as senhas dos aparelhos. Tudo isso precisa ser esclarecido — e tentar
calar quem noticia esses fatos não é resposta.
Isso não significa condenação — investigação não é
sentença. Mas significa que há uma investigação e fatos
que precisam ser esclarecidos.
Tentar transformar o jornalista em réu por divulgar uma
investigação da Polícia Federal é, no mínimo, uma atitude incompatível com quem
pretende governar com serenidade um Estado.
Allyson deveria explicar os
fatos, não tentar calar quem os notícia.
O eleitor tem direito à informação. A imprensa tem
direito de investigar. E político nenhum está acima das perguntas, das críticas
ou da fiscalização.
Quem quer governar precisa aprender a conviver com a imprensa livre — inclusive quando a notícia é incômoda.
0 comentários:
Postar um comentário