Enquanto o Brasil comemora queda de 8,2% nas mortes
violentas intencionais (MVI) em 2025, o Rio Grande do Norte caminha na direção
contrária: o estado apresentou o maior crescimento de MVI entre todas as
unidades da federação, com alta de 19,6%. Os dados são do 20º Anuário
Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum
Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O RN encabeça a lista de sete estados que fugiram à tendência nacional de queda, sendo seguido por Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima e Distrito Federal (5,8% cada), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%). Enquanto essas unidades registraram alta, o restante do país conseguiu reduzir os índices de violência letal, revelando um cenário de segurança pública desigual e preocupante para o Rio Grande do Norte.
O resultado potiguar contrasta fortemente com o quadro nacional. No Brasil como um todo, foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma taxa de 19,1 por 100 mil habitantes, e queda de 31% em relação a 2012, primeiro ano da série histórica do FBSP. A categoria "MVI" engloba homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.
Nacionalmente, os homicídios dolosos caíram 10%, somando 32.914 casos, o que fez o Brasil antecipar em dois anos a meta de redução prevista na Política Nacional de Segurança Pública para 2027. Já os feminicídios, que integram essa categoria, subiram 4%, com 1.571 vítimas registradas. Os latrocínios (-17%) e as lesões corporais seguidas de morte (-15,2%) também recuaram no comparativo nacional.
Chama atenção ainda o crescimento de 5,4% nas mortes decorrentes de intervenção policial em todo o país, que somaram 6.602 casos e já representam 16,2% de todas as mortes violentas intencionais registradas, ou seja, uma em cada seis MVI no Brasil tem autoria de policiais civis ou militares.
No caso potiguar, a disparada de quase 20% nas mortes violentas intencionais levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas de segurança pública adotadas no estado, justamente em um momento em que a maioria das unidades da federação consegue reverter a curva da violência. O dado reforça a necessidade de que autoridades estaduais expliquem à população as razões desse retrocesso e apresentem medidas concretas para conter o avanço da criminalidade no Rio Grande do Norte.
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