O palanque do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra,
produziu dois resultados que, de certa forma, surpreenderam as lideranças que
integram o projeto político. Um deles é considerado positivo; o outro,
negativo. As surpresas dizem respeito ao desempenho de dois personagens que
ocupam posições estratégicas na chapa.
A surpresa positiva é o deputado estadual Kléber Rodrigues (PP). Depois de
deixar a base governista no Rio Grande do Norte para integrar o projeto de
Allyson, sua missão inicial era trabalhar a ampliação da candidatura na região
de Natal, onde concentra sua base eleitoral.
No entanto, Kléber foi além dessa atribuição. Aos poucos, assumiu um papel
de articulador político e recebeu a missão de coordenar a montagem da nominata
de União Brasil e PP para deputado estadual.
Sua atuação também se estendeu às principais negociações da cúpula da
aliança. Kléber teve participação relevante no esforço para conter a crise
instalada na nominata federal, marcada pelo embate público entre Kelps Lima e
os deputados João Maia, Robinson Faria e Benes Leocádio.
Hoje, mantém contato diário com Allyson Bezerra e passou a ser ouvido
previamente nas principais decisões estratégicas da pré-campanha. Nos
bastidores, sua influência cresceu a ponto de ocupar um espaço que, até pouco
tempo, era atribuído ao ex-senador José Agripino.
Na outra ponta, a surpresa negativa tem sido o desempenho do pré-candidato
a vice-governador Hermano Morais. Sua escolha para compor a chapa atendeu a uma
estratégia política de atrair o MDB para o projeto e dificultar uma eventual
candidatura da governadora Fátima Bezerra ao Senado. Sob esse aspecto, o
objetivo foi alcançado.
Entretanto, a expectativa era de que Hermano exercesse um papel mais ativo
na articulação política e contribuísse de forma mais decisiva para fortalecer a
chapa. Nos bastidores, parte das lideranças avalia que sua participação tem
sido discreta, com pouca influência nas articulações e reduzido protagonismo
neste momento da pré-campanha.
A percepção se estende, inclusive, à Grande Natal, onde se esperava que
Hermano ampliasse a presença política da chapa e ajudasse na conquista de
apoios e votos. Internamente, a avaliação de parte dos aliados é que sua
contribuição tem ficado aquém das expectativas, tanto no campo da articulação
quanto na capacidade de agregar força eleitoral ao projeto.
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