Olho D'água do Borges/RN -

Corredores lotados e falta de leitos são registrados no Tarcísio Maia

 

O Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, principal unidade de urgência e emergência do Oeste potiguar, enfrenta um cenário de pressão crescente provocado pela superlotação, déficit de profissionais, demora na liberação de leitos e atraso no pagamento de médicos cooperados. Referência para mais de 60 municípios, a unidade registra diariamente pacientes acomodados em corredores enquanto aguardam internação, situação agravada pela elevada ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Profissionais da cooperativa médica SAMA que atuam no hospital afirmam estar há quase cinco meses sem receber pelos plantões realizados. Segundo eles, o último pagamento corresponde à nota fiscal referente aos serviços prestados em fevereiro. Diante do atraso, médicos admitem a possibilidade de interromper os atendimentos caso a situação não seja regularizada.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN), Geraldo Ferreira, confirmou a existência dos atrasos e informou que o caso vem sendo acompanhado pela entidade em conjunto com o Conselho Regional de Medicina. “Sim, existem os atrasos. A situação é grave. Além da responsabilidade do Estado, há também responsabilidade da empresa. Assim, estamos trabalhando junto com o Conselho Regional de Medicina, que fez uma Resolução, onde a empresa que atrasa poderá sofrer sanções que vão de multa e cassação do registro no Conselho.”

Em entrevista à Tribuna do Norte, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, reconheceu que há atraso no repasse à cooperativa, mas afirmou que o prazo não corresponde ao período apontado pelos profissionais. Segundo ele, a Secretaria remunera a empresa contratada, responsável pelo pagamento dos médicos.

“Não pagamos salários aos profissionais. A gente paga a empresa e a empresa faz a remuneração dos profissionais de acordo com o que pactua. Nós temos contratos antigos e contratos novos. Os contratos novos têm prazo de dois meses para pagamento após a emissão da nota fiscal. Os contratos antigos, que é o caso da SAMA, têm prazo de três meses.”

O secretário explicou que, no caso da cooperativa, existe um atraso de aproximadamente um mês em relação ao cronograma previsto.

“No caso específico da SAMA, eu não tenho atraso de cinco meses. Se a nota fiscal foi emitida no dia 30 de março, eu tenho até 30 de junho para efetuar o pagamento à empresa. No caso específico, em que o pessoal está recebendo fevereiro, a gente de fato está com atraso, mas não de seis meses, e sim de um mês. Esse atraso ocorreu em virtude de dificuldades financeiras que o Estado teve, mas que a gente espera regularizar em breve.”

A superlotação também reflete na fila por vagas de UTI, monitorada pelo sistema Regula RN. A indisponibilidade de leitos ocorre, em parte, pela falta de profissionais técnicos e pela dificuldade em promover a rotatividade dos pacientes internados.

Segundo Alexandre Motta, a recomposição das equipes está em andamento com a convocação de aprovados no concurso público da Saúde. “A dificuldade de RH está sendo sanada na medida em que o concurso está sendo chamado. Nós chamamos há 15 dias 749 novas pessoas. Já nos aproximamos de 3 mil convocados. Desses, 360 são médicos, inclusive médicos de UTI para o Tarcísio Maia.”

O secretário também afirmou que a ampliação da oferta de leitos de terapia intensiva na região reduziu um déficit histórico, mas apontou a falta de leitos de retaguarda como um dos principais gargalos. “Quando a governadora assume, a região Oeste tinha nove leitos de UTI. Hoje Mossoró tem 54 leitos financiados pela própria Sesap e, na região, são 84. O problema é que só o Estado banca isso sozinho. Para liberar um leito de UTI, é preciso que o paciente tenha para onde ir. Precisamos de leitos de enfermaria para garantir esse giro.”

Outro ponto abordado foi a reforma do Hospital Regional Tarcísio Maia, iniciada com investimento de aproximadamente R$ 10,3 milhões, dos quais R$ 6,4 milhões são provenientes de recursos destinados pelo senador Styvenson Valentim. O projeto contempla a reforma da urgência e emergência, centro cirúrgico, pediatria, lavanderia, necrotério, Central de Material Esterilizado (CME) e ampliação do setor de nutrição.

De acordo com Motta, a obra segue em execução e não está paralisada, embora avance de forma gradual devido ao funcionamento permanente da unidade. “A obra não está paralisada. É como trocar o pneu de um carro em movimento. Muitos dos pacientes que ocupam os corredores vêm das UPAs. Isso impossibilita que a gente faça a reforma em alguns setores.”

Segundo ele, a área da pediatria deverá ser concluída nos próximos dias e permitirá o remanejamento do pronto-socorro para que novas etapas da obra sejam iniciadas. “A engenharia nos informou que no dia 24 de julho deve fazer os últimos testes da parte elétrica e hidráulica dessa área reformada. Depois faremos a reforma da parte masculina do pronto-socorro, em seguida a feminina e, por último, o centro cirúrgico. A estimativa é que, conseguindo desocupar essas áreas, a obra seja entregue até o final do ano.”

 Ismael Souza.

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