Na corrida pela atração de investimentos bilionários em
data centers, o Rio Grande do Norte está perdendo competitividade por ainda não
concluir a regulamentação necessária para licenciar esse tipo de
empreendimento. Essa é a avaliação de especialistas do setor após o estado do
Ceará aprovar uma legislação específica para facilitar a instalação desses
projetos e de sistemas de armazenamento de energia por baterias. A minuta da
resolução do RN permanece em análise na Procuradoria Geral do Estado (PGE/RN),
que deve devolvê-la para aprovação no Conselho Estadual de Meio Ambiente
(Conema).
Embora seja um dos maiores produtores nacionais de
energia eólica e solar, o RN permanece sem regras específicas para o
enquadramento ambiental dos data centers. Na prática, isso impede que empresas
protocolizem projetos no Estado, justamente em um momento em que grandes
investidores buscam locais com energia renovável, segurança jurídica e rapidez
nos processos de licenciamento.
“Hoje ninguém consegue protocolar um projeto de data center
no Estado. Enquanto não houver regulamentação, o RN nem entra no cenário
competitivo”, explica o relator da proposta no Conema e representante da OAB/RN
no colegiado, o advogado Kepler Brito.
Segundo ele, o processo tramita desde abril deste ano. A
relatoria foi concluída e aprovada na Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos em
maio e permanece na Procuradoria-Geral do Estado (PGE), sem prazo para retornar
ao Conema para votação. “Ontem (terça-feira) houve reunião do Conselho e o tema
novamente não entrou na pauta. Como não existe prazo regimental para a
Procuradoria devolver o processo, essa demora acaba comprometendo a
competitividade do Estado.”
Na avaliação do advogado, todos os estados que já
regulamentaram a atividade avançaram na disputa por investimentos. “Não só o
Ceará, mas todos os estados que já possuem regulação sobre data centers estão à
frente do Rio Grande do Norte.”
Para o presidente da Comissão Temática de Energias Renováveis
(Coere) da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), Sérgio Azevedo, o estado
vizinho ampliou a vantagem competitiva ao tratar os data centers como uma
política de desenvolvimento econômico, e não apenas como uma questão ambiental.
“O Ceará organizou seu ambiente regulatório, econômico e de infraestrutura para
receber esses investimentos. A mensagem para o mercado é clara: o Estado quer
esses empreendimentos”, afirma.
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