A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos
Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) a PEC (Proposta de Emenda à
Constituição) que reduz a maioridade penal
de 18 para 16 anos no Brasil. Agora, o texto segue para
análise de uma comissão especial para tratar do tema e, depois, para o
plenário da Casa.
A proposta foi aprovada por 44 votos
contra 18. Venceu o posicionamento do relator, deputado Coronel Assis (PL-MT),
que apresentou parecer favorável.
Na prática, a PEC faz com que adolescentes de 16 e 17
anos acusados de crimes hediondos, como homicídio, estupro e latrocínio, passem
a responder criminalmente perante a Justiça comum e possam ser condenados à
prisão. Hoje, menores de 18 anos não respondem pelo Código Penal e estão
sujeitos apenas às medidas socioeducativas previstas no ECA (Estatuto da
Criança e do Adolescente).
A votação se deu depois de o debate ser adiado três vezes por falta de consenso entre os
congressistas de esquerda, sob o argumento de que diminuir a maioridade penal
não resolveria o problema da criminalidade entre os mais jovens e poderia
levá-los à reincidência. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) chegou a
apresentar um voto pela rejeição da PEC.
O texto foi apresentado em 2015, pelo então deputado
Gonzaga Patriota (PSB-PE). A proposta original tinha dispositivo que tornava
obrigatório o voto em eleições para maiores de 16 anos e permitia com que a
faixa etária pudesse se candidatar para o cargo de vereador. Esses trechos foram retirados pelo relator.
Somada à redução da maioridade penal em si, a PEC tramita
de forma conjunta a outras duas propostas: uma delas sugere a responsabilização penal de menores de 18 anos
nos casos de crimes hediondos ou de maus-tratos e crueldade extrema contra
pessoas e animais; a outra prevê
a responsabilização para adolescentes a partir de 12 anos que cometerem crimes
cometidos com violência ou grave ameaça, crimes hediondos e crimes contra a
vida. O parecer do deputado Coronel Assis também foi a favor
das duas.
A CCJ não discutiu a PEC da Maioridade Penal em seu
mérito. Os deputados fizeram apenas o debate para saber se as regras previstas
no texto estão de acordo com as normas constitucionais. Para analisar a
proposta em si, a pauta ainda precisa ser analisada por uma comissão específica
antes de ser votada no plenário.
CNN
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