A chamada PEC do horário flexível, encabeçada pelo líder da
oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), já reúne assinaturas de 40
senadores de nove partidos. O texto foi apresentado como contraponto à PEC aprovada pela Câmara, nessa quarta-feira (27), que acaba
com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.
O número de
assinaturas dá peso político à ofensiva da oposição no Senado. Para apresentar
uma PEC na Casa, são necessárias ao menos 27 assinaturas, o equivalente a um
terço dos 81 senadores. A proposta de Marinho ultrapassa esse patamar com
folga. Entre os signatários da proposta, estão todos os 16 senadores
do PL, seis dos sete representantes do PP e cinco dos seis parlamentares
do Republicanos.
O apoio ao texto
também acende um alerta para a tramitação da PEC da escala 6x1. Para ser
aprovada no Senado, uma proposta de emenda à Constituição precisa do apoio de
pelo menos 49 senadores, em dois turnos de votação. Em tese, se todos os
signatários da PEC de Marinho se opuserem à proposta aprovada pela Câmara, não
haveria votos suficientes para aprovar o fim da escala 6x1. A ressalva é que
assinar a proposta do horário flexível não significa, necessariamente, voto
contra a PEC da Câmara.
A proposição foi
encaminhada de maneira célere pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre
(União-AP). O texto, formalizado nesta quinta-feira (28), foi encaminhado logo em seguida por ele à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A CCJ é também a primeirada parada da PEC do fim da escala 6x1. Caberá ao
presidente da comissão, Otto Alencar decidir se os dois textos serão analisados
em conjunto.
Se o Senado
alterar a versão enviada pela Câmara, o texto terá de ser votado novamente
pelos deputados.
O que diz a PEC do horário flexível
A PEC de Rogério
Marinho altera o artigo 7º da Constituição para permitir que o trabalhador
escolha entre o regime tradicional da CLT e um regime flexível, baseado em
horas trabalhadas.
Pelo texto, a
compensação de horários e a redução da jornada poderiam ser feitas por acordo
individual, convenção coletiva ou livre pactuação contratual direta entre
empregado e empregador. A proposta também prevê que o contrato individual possa
prevalecer sobre acordos ou convenções coletivas.
A PEC estabelece
ainda que, no caso de redução da jornada, a remuneração seja proporcional à
carga horária efetivamente trabalhada. A mesma lógica valeria para férias, 13º
salário, FGTS e outros benefícios legais.
Na
justificativa, Marinho afirma que a proposta busca ampliar a liberdade de
escolha do trabalhador e modernizar as relações de trabalho.
Diferenças em relação à PEC do fim da escala 6x1
As duas
propostas tratam de jornada de trabalho, mas partem de lógicas opostas.
A PEC aprovada
pela Câmara busca reduzir a jornada padrão de 44 para 40 horas semanais,
estabelecer dois dias de descanso por semana e acabar, na prática, com a escala
6x1 como regra geral, preservando os salários.
A PEC de Marinho
não acaba com a escala 6x1 nem reduz a jornada para 40 horas. Em vez disso,
abre espaço para um modelo flexível, por hora trabalhada, com remuneração e
direitos proporcionais à carga horária. Na prática, a proposta desloca o debate
da redução geral da jornada para a possibilidade de negociação direta entre
empregado e empregador.
Veja quem assinou a PEC aqui.
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