O Ibovespa chegou a cair cerca de 17% nesta segunda-feira
(26), no primeiro pregão após o segundo turno das eleições, revelando o
pessimismo dos investidores com a vitória de Lula (PT) no segundo turno das
eleições presidenciais. A queda, que chegou a superar 16,7%, é a maior diária
desde 21 de março de 1990, quando o índice recuou 22,27% no dia seguinte ao
anúncio do Plano Collor.
Mais de R$ 890 bilhões em valor de mercado das empresas brasileiras foram apagados ao longo do dia. O movimento reflete a reação do mercado à reeleição do petista, que venceu Flávio Bolsonaro (PL) por 51,75% a 48,25%. O resultado inverteu a expectativa predominante após o primeiro turno, quando Flávio ficou à frente e o Ibovespa chegou a subir fortemente (incluindo um salto de cerca de 7,7% no dia seguinte).
Para efeito de comparação, a queda de ontem supera episódios históricos recentes e anteriores, como:
- Crise da Rússia (10/09/1998): −15,82%
- Crise asiática (27/10/1997): −14,97%
- Pior dia da pandemia (12/03/2020): −14,78%
- Crise de 2008 (22/10/2008): −10,18%
- “Joesley Day” (18/05/2017): −8,80%
O mercado já antecipava forte volatilidade. O ETF
EWZ (que replica ações brasileiras em Nova York) chegou a cair cerca de 18-19%
no after-hours de domingo, e analistas projetavam risco elevado de circuit
breaker (acionado em quedas de 10%, 15% e 20%). O dólar também avançou com
força, refletindo o ajuste de posições que estavam concentradas na expectativa
de alternância de poder e de um cenário fiscal mais restritivo.
A sessão de hoje marca um dos momentos mais
intensos da história recente da B3, revertendo parte importante do rali
eleitoral registrado após o primeiro turno.
Diário do Poder

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