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Paulinho resolve o problema de Allyson em Natal e pode criar outro no interior

 

Se Paulinho Freire (União Brasil) declarar apoio a Allyson Bezerra, a eleição fica mais difícil para Cadu de Lula (PT) em Natal, onde o petista abriu a maior vantagem sobre o adversário. Fica difícil no estado? Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que não necessariamente. A disputa de 25 de outubro tende a ser decidida no interior, entre eleitores que votaram em Lula para presidente e não votaram em Cadu para governador. A leitura rival é que, numa eleição separada por 15.509 votos, nenhum reforço numa capital de 570 mil eleitores é pequeno.

A cidade onde Allyson foi terceiro

Allyson terminou o primeiro turno à frente no estado, com 733.809 votos (36,94%) contra 718.300 de Cadu (36,16%). Em Natal, ficou em terceiro, com 24,5% dos votos válidos. Álvaro Dias (PL) venceu na capital com 39,7%, e Cadu teve 35,4%. Só ali, o petista abriu 45.568 votos sobre Allyson.

É esse o buraco que Paulinho pode ajudar a tapar. O prefeito fez campanha para Álvaro, e Álvaro teve 165.210 votos na cidade. Em 2024, Paulinho se elegeu com 222.661 votos no segundo turno. Ele já disse que “com o PT” não tem “condições nenhumas” e, na quinta-feira (8), que não havia conversado com Allyson. Até a manhã deste sábado (10), o apoio não tinha sido anunciado.

Fora de Natal, Allyson venceu Cadu na Região Metropolitana e em Mossoró, sua base, e ficou a dois pontos dele nos demais 151 municípios.

O voto que Cadu ainda não tem

Lula teve 1.237.963 votos no Rio Grande do Norte, 59,75% dos válidos. Cadu, candidato do presidente, teve 718.300. A diferença entre os dois é de 519.663 votos. As bases não são idênticas, porque o número de votos válidos muda de um cargo para outro, mas a ordem de grandeza é clara.

Desse total, 306.702 estão nos 151 municípios do interior, onde Lula teve 66,8%. Em Natal, a diferença é de 66.281. É inferência desta análise, e não dado, que uma parte importante desse eleitor votou em Lula e em Allyson ao mesmo tempo. A neutralidade de Allyson na disputa presidencial, que levou o PL a não endossá-lo na sexta-feira (9), é o que mantém esse eleitor confortável.

Contrapesos

Apoio de prefeito não transfere voto em bloco. A leitura desta análise é que boa parte dos 165 mil eleitores de Álvaro em Natal tende a evitar o PT com ou sem Paulinho, porque Flávio Bolsonaro teve 44,2% na capital, e o próprio Álvaro chamou Allyson de “péssimo gestor”. O efeito do prefeito, se vier, está na mobilização e na margem, e a margem é exatamente o que está em jogo.

Há também um custo possível, e ele é hipótese, não dado. Paulinho fez a campanha de Álvaro com o PL e o Podemos, e a mulher dele, Nina Souza, foi eleita deputada federal pelo PL. Um palanque com o prefeito aproxima Allyson do grupo que acabou de recusar endossá-lo, e é nessa aproximação que a campanha de Cadu tende a mirar no interior lulista.

O que falta saber

Se e quando Paulinho anuncia o apoio, e em que termos. Também não se sabe quantos dos 488 mil eleitores que não votaram no primeiro turno vão às urnas no dia 25, nem quanto da votação de Lula no segundo turno presidencial arrasta para Cadu.

Onde isso pode dar

Se Paulinho subir no palanque e Allyson mantiver a neutralidade presidencial, ele tende a ganhar em Natal sem perder o eleitor de Lula no interior, e o caminho de Cadu se estreita. Se a campanha de Cadu conseguir colar Allyson ao PL e a Flávio Bolsonaro, o apoio do prefeito pode render na capital e custar no interior. E, se Paulinho ficar neutro, Natal volta a ser o que foi no primeiro turno: a cidade que mais faltou a Allyson.

Blog do Dina

 

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