O jornal O Estado de S. Paulo afirmou, em editorial
publicado nesta quinta-feira (29), que Alexandre de Moraes deu um “presentão” a
Flávio Bolsonaro ao mandar apreender seus passaportes logo após a derrota
eleitoral. Para o jornal, a decisão imprudente transformou uma fuga
constrangedora em uma narrativa de exílio e perseguição política.
O editorial reconhece que Flávio descumpriu a ordem
judicial, fugiu para os Estados Unidos e precisa responder pelas suspeitas de
crimes financeiros investigadas. Isso, porém, não tornaria correta a medida
determinada pelo ministro do STF.
Para o Estadão, os argumentos apresentados pela Polícia
Federal para sustentar o risco de fuga eram vagos: a recomendação pública de
Eduardo Bolsonaro para que o irmão deixasse o país, a presença do advogado
Willer Tomaz no exterior, a capacidade financeira de Flávio e seus contatos
internacionais.
O pedido da PF foi assinado sete minutos após a
confirmação da vitória de Lula e acolhido por Moraes. Na avaliação do jornal, o
ministro deveria ter exigido indícios mais sólidos, ouvido a Procuradoria-Geral
da República e levado o caso ao plenário do Supremo.
O editorial também questiona a imparcialidade de Moraes diante dos conflitos acumulados com a família Bolsonaro e das suspeitas relacionadas ao Banco Master. “Sem a ordem sobre os passaportes, a partida do senador seria um embaraço. Com ela, ganhou uma história para contar”, resume o jornal.

0 comentários:
Postar um comentário