Está todo mundo fazendo conjecturas sobre como deverão se
apresentar os números das pesquisas eleitorais no Rio Grande do Norte, na
disputa entre Allyson Bezerra e Cadu Governo do Estado.
Para analisar esse cenário, é preciso considerar alguns fatores que
poderão influenciar o comportamento dos eleitores potiguares no segundo turno.
Vou examinar cada um deles, atribuindo-lhes um peso e indicando a tendência que
os votos poderão seguir.
FATOR 1: A tendência do voto bolsonarista no RN que escolheu
Álvaro Dias no primeiro turno.
Boa parte dos 26% dos votos dados a Álvaro Dias veio de eleitores identificados
com a direita e com o bolsonarismo, cuja escolha teve motivação ideológica.
Essa parcela representa a maior parte dos votos recebidos por Álvaro, e a
tendência é que migre para Allyson Bezerra ou opte por não votar em nenhum dos
dois candidatos, considerando a resistência desse eleitorado ao PT.
Mas é bom lembrar que algumas pesquisas indicaram que cerca de 4% dos
eleitores de Flávio Bolsonaro declararam voto em Cadu. Portanto, existe
uma pequena parcela desse eleitorado que poderá optar pelo candidato petista.
Este é um fator pró-Allyson.
FATOR 2: A tendência do voto de Álvaro que pertence ao próprio
Álvaro, e não ao bolsonarismo.
Entre os eleitores de Álvaro Dias, existe uma parcela que votou nele em
reconhecimento ao seu trabalho na Prefeitura de Natal, por sua ligação com a
região do Seridó ou por outras razões pessoais.
Esse voto, vinculado à figura de Álvaro e não necessariamente a uma
posição ideológica, poderá se dividir de maneira equilibrada entre Allyson e
Cadu. Não há, a princípio, uma razão evidente para que migre majoritariamente
para um ou para outro.
Este é um fator de equilíbrio entre os dois candidatos.
FATOR 3: O impacto do desempenho de Cadu e Allyson nas urnas
sobre a percepção do eleitor.
Até o dia 4 de outubro, praticamente todas as análises apontavam o
favoritismo de Allyson Bezerra e tratavam Cadu como um azarão. Poucos
apostavam na possibilidade de vitória do candidato petista.
Entretanto, o resultado das urnas surpreendeu pela votação de Allyson
abaixo das expectativas e pelo desempenho de Cadu acima das previsões.
Esse resultado pode ter provocado uma mudança no estado de ânimo de parte
do eleitorado, especialmente entre aqueles que não gostam de votar em
candidatos considerados sem chances de vitória.
O eleitor que deixou de votar em Cadu por acreditar que sua derrota era
certa poderá, agora, reconsiderar sua escolha diante de um cenário que se
mostrou mais competitivo do que o esperado.
Este é um fator pró-Cadu.
FATOR 4: A influência da eleição presidencial sobre a disputa
estadual.
Não se pode negar que, neste segundo turno, a disputa presidencial está
dentro da casa de cada brasileiro. O envolvimento dos eleitores é intenso, e a
polarização política atingiu seu ponto máximo.
Nesse ambiente, é possível que eleitores de Lula no Rio Grande do Norte
que votaram em Allyson Bezerra no primeiro turno reconsiderem sua escolha,
influenciados pela campanha do voto casado no 13 para presidente e governador.
Além disso, parte desse eleitorado, que antes não acreditava nas chances
de vitória de Cadu, poderá passar a enxergar a disputa estadual sob uma nova
perspectiva.
Este também é um fator pró-Cadu.
CONCLUSÃO
Diante desses quatro fatores, que poderão orientar o comportamento de boa
parte dos eleitores no segundo turno, temos um fator claramente favorável a
Allyson, dois favoráveis a Cadu e um que tende ao equilíbrio entre os
candidatos.
Não estou fazendo previsões sobre o resultado da eleição. Estou apenas
analisando elementos da campanha e tentando compreender o que se passa na
cabeça do eleitor.
Se essa leitura está correta ou não, teremos que aguardar as primeiras
pesquisas para sentir o pulso do eleitorado.

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