Às 17h49 desta
segunda-feira (21), a GloboNews colocou no ar um painel com os três candidatos
ao governo do Rio Grande do Norte: Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias
(PL) e Cadu de Lula (PT). A legenda embaixo dizia: “RN: Operação da PF torna
alvo candidato do União. Adversários exploram indícios de fraude contra
Allysson; ele nega as acusações”. No estúdio do GloboNews Mais, o comentarista
resumiu o caso em uma frase: “O Allyson tem um passivo”.
“Em janeiro teve uma operação da Polícia Federal que
encontrou indícios de irregularidades em contrato de fornecimento de insumos
para a rede pública de saúde lá em Mossoró, com empresas sediadas no Rio Grande
do Norte, que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados”,
disse ele. “Então essa operação está na pauta das eleições de lá. E ainda que
ele esteja liderando as pesquisas, diversos candidatos têm dito que as quali
apontam que essa gente está dizendo que vai votar em Allyson, mas desconfia que
isso possa ter algum desdobramento. Esse é o grande passivo dele.”
A descrição é quase a mesma que a Polícia Federal usa nos
relatórios da busca de 27 de janeiro: a Operação Mederi apura “irregularidades
em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde,
envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte”, que “atuavam junto a
administrações municipais de diversos estados”. O que a PF diz que encontrou,
em oito meses de investigação, este blog vem mostrando desde janeiro: a chamada “matemática de Mossoró”, com 15% para o então prefeito;
a escuta ambiental dentro da Dismed; e, nesta
segunda-feira, os recibos de aluguel que a polícia chama de forjados.
Que o caso está “na pauta das eleições” não é novidade para
quem acompanha a campanha no estado. A propaganda de Álvaro Dias na TV cita a
Mederi e os 15%, e o TRE-RN negou a Allyson o pedido para tirá-la do ar. No debate da TV Ponta Negra, na sexta-feira (18), o
caso foi citado nominalmente. O que muda com a GloboNews é a escala: pela
primeira vez, um canal de notícias nacional trata a operação como o fator que
pode mexer numa eleição em que Allyson lidera as pesquisas publicadas até aqui.
A emissora registrou que o candidato “nega as acusações”. A
defesa de Allyson, em nota enviada a este blog nesta segunda-feira (21) a
respeito de outra apuração, afirmou que “não há nenhuma denúncia apresentada
contra si” e que “todas as investigações concluídas foram arquivadas sem ação
judicial”. No caso da Mederi, o inquérito foi prorrogado em agosto e segue sem denúncia,
com prazo até novembro.
O trecho completo, com 35 segundos, está no canal do Blog do Dina
no YouTube, com crédito à GloboNews.
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