A ministra
Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou estar
envergonhada com o momento vivido pela Corte e votou nesta terça-feira
(15) contra a análise conjunta dos processos envolvendo os ministros Alexandre
de Moraes e André Mendonça.
O voto da
ministra acompanhou o entendimento do presidente do STF, Edson Fachin, de Luiz
Fux e do próprio Mendonça. Com isso, o placar ficou empatado em 4 a 4 na
questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para que os procedimentos fossem
reunidos.
Do outro lado,
acompanharam Gilmar: Moraes e Cristiano Zanin. Flávio Dino também votou pela
reunião dos procedimentos, mas pediu vista antes da proclamação do resultado. Por
isso, seu voto não foi computado formalmente, deixando o placar em 4 a 3 pela
separação dos casos e suspendendo a definição da questão.
Nunes Marques se
declarou impedido, enquanto Dias Toffoli declarou suspeição no julgamento, que
segue no plenário do STF.
Antes de votar,
Cármen Lúcia manifestou preocupação com a crise no Supremo e com a repercussão
do embate entre os ministros, especialmente a poucas semanas das eleições de
2026.
“Me sinto
envergonhada, em um momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição,
estarem todos voltados a questões do Supremo, que são processuais, com muita
expressão e gravidade. Mas não garantimos o rigor e a serenidade que meu papel
de cidadã e juíza deveria ter ajudado a promover. O Judiciário existe para
tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade. Essa é a minha percepção”, declarou.
A ministra
também lamentou não ter contribuído para preservar a estabilidade institucional
da Corte diante do cenário atual.
“Eu peço
desculpa ao povo brasileiro que esperava uma postura diferente”, afirmou Cármen Lúcia.
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