Quando o atraso de salários atinge milhares de servidores
públicos, espera-se que o principal sindicato da categoria esteja na linha de
frente da cobrança. No Rio Grande do Norte, porém, o que chama atenção é
justamente o contrário: o silêncio do SINTE diante do pagamento escalonado
anunciado pelo governo Fátima Bezerra.
A mesma entidade que costuma adotar
um discurso firme em defesa dos trabalhadores agora responde com notas,
reuniões e promessas de medidas jurídicas, enquanto servidores convivem com a
incerteza sobre quando terão seus salários integralmente nas contas.
A comparação é inevitável. Em
outras ocasiões, diante de governos e gestões de perfil político diferente, o
sindicato protagonizou mobilizações, assembleias lotadas, protestos e greves.
Basta lembrar que, recentemente, professores da rede municipal de Natal
aprovaram greve ainda durante o processo de negociação. Agora, diante do
escalonamento promovido pelo Governo do Estado, a postura parece muito mais
cautelosa.
Essa diferença de tratamento
alimenta uma pergunta que ecoa entre muitos servidores: o SINTE reage da mesma
forma quando o governo é politicamente alinhado à sua direção?
Quem representa trabalhadores
precisa demonstrar independência. Sindicato existe para cobrar governos,
pressionar gestores e defender direitos, independentemente da cor partidária de
quem ocupa o poder. Quando essa postura parece mudar conforme o governante, a
credibilidade da entidade passa a ser questionada.
O servidor que espera pelo salário
não quer discursos cuidadosamente calculados. Quer firmeza, cobrança e
resultados. Afinal, atraso de pagamento pesa no bolso de quem precisa honrar
contas, sustentar a família e cumprir seus compromissos.
O silêncio diante de uma crise dessa dimensão acaba transmitindo uma mensagem preocupante: a de que a indignação do sindicato pode ter intensidade diferente conforme o endereço político do Palácio do Governo. E, para muitos servidores, essa é uma omissão difícil de aceitar.
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