Não se sustenta o discurso dos adversários que tentam
colocar em Álvaro Dias o rótulo de “forasteiro” em Caicó. A própria trajetória
política do candidato ao Governo do Rio Grande do Norte nasceu no município e
está diretamente ligada à história política da cidade.
Álvaro iniciou sua vida pública em Caicó. Foi
vice-prefeito do saudoso Manoel Torres, uma das maiores lideranças políticas da
história do município, e também ocupou a Secretaria Municipal de Saúde. Depois,
saiu das fronteiras locais para representar Caicó e o Seridó na Assembleia
Legislativa, onde exerceu vários mandatos e chegou à presidência da Casa.
Posteriormente, foi deputado federal.
Sua chegada a Natal não apagou essa origem. Pelo
contrário: Álvaro ampliou sua atuação política, chegou à Prefeitura da capital
por duas vezes com alto índice de aprovação e agora disputa o Governo do Estado
carregando Caicó como seu principal berço político.
Por isso, chamar Álvaro de forasteiro em sua própria
terra soa contraditório para seus aliados. Na avaliação do grupo, se existe um
candidato vindo de fora para disputar o voto caicoense, esse candidato é
Allyson Bezerra, cuja trajetória política foi construída em Mossoró.
A tentativa de mostrar Allyson eleitoralmente mais forte
do que Álvaro em Caicó também ganhou um contraponto importante no último
sábado. A gigantesca carreata, motociata e passeata comandadas por Álvaro foram
interpretadas por seus apoiadores como uma resposta política às pesquisas que
apontaram uma disputa apertada entre os dois no município. Mobilização de rua
não substitui pesquisa nem urna, mas mostrou que Álvaro conserva uma capacidade
expressiva de reunir seu eleitorado.
E houve um detalhe carregado de simbolismo: setores
ligados ao velho “bacurau” de Manoel Torres reapareceram nas ruas. Com Bibi
Costa e integrantes da tradicional família Costa ao lado de Álvaro, antigos
sentimentos políticos voltaram à superfície.
O bacurau saiu da toca. E, desta vez, voltou às ruas para
cantar “bandeira branca” para Álvaro Dias.
Para o grupo de Álvaro, a eleição também carrega uma
esperança maior: colocar novamente um filho de Caicó no comando do Rio Grande
do Norte e abrir uma nova oportunidade para que o município ganhe força
política e investimentos no cenário estadual.
Robinson Pires
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