Trabalhadores terceirizados da rede estadual de saúde do
Rio Grande do Norte iniciaram greve cobrando salários atrasados, resultado da
falta de repasses às empresas prestadoras de serviço. A Secretaria Estadual de
Saúde informou ter transferido cerca de R$ 6 milhões na sexta-feira 14. Parte
das empresas efetuou os pagamentos; outras ainda não haviam regularizado a
situação.
A paralisação atinge serviços de apoio que sustentam o
funcionamento cotidiano dos hospitais — limpeza, alimentação, recepção e
manutenção. São funções sem as quais a assistência não se sustenta, ainda que
não apareçam na linha de frente do atendimento.
Um ciclo que se repete
O
episódio não é isolado. Em julho, a mesma cobrança já havia mobilizado a
categoria, e a Sesap informou na ocasião ter repassado mais de R$ 4 milhões a
seis empresas terceirizadas, com pagamentos adicionais nos dias seguintes.
Mesmo assim, trabalhadores relataram que os valores não chegavam às contas.
As
queixas acumuladas incluem salários vencidos, vale-alimentação não pago, férias
pendentes e ausência de depósitos do FGTS. Representantes da categoria têm
defendido mudança no modelo de contratação da saúde pública estadual, com
realização de concursos e redução da dependência de empresas terceirizadas.
O padrão
é conhecido no Estado: em janeiro deste ano, uma greve do Sipern
chegou ao quinto dia com protesto em frente ao Hospital Walfredo Gurgel,
e o atraso de
salários de terceirizados já havia exposto o problema em 2025.
Onde a greve dói
O efeito
mais imediato aparece na alimentação hospitalar. Quando o serviço para, a rede
precisa recorrer a soluções emergenciais para garantir as refeições de
pacientes internados — e, em episódios anteriores, acompanhantes chegaram a
assumir tarefas de limpeza em unidades do Estado.
A
paralisação ocorre em um momento de pressão sobre as contas da saúde estadual.
Levantamento do laboratório vinculado ao Ministério Público apontou que o Rio
Grande do Norte aplicou 7,04% das receitas de impostos e transferências em
saúde até junho, o menor percentual entre as 27 unidades da Federação, contra
um mínimo constitucional de 12% ao ano.
A greve
foi noticiada originalmente por O Correio de Hoje, em nota do Informe do Correio sobre a paralisação dos
terceirizados.
Agora RN
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