Há uma razão de peso para a batalha jurídica travada por
investigados da Operação Mederi na tentativa de derrubar provas e atingir a
investigação: o material já reunido pela Polícia Federal é volumoso e ainda
está sendo analisado. A defesa da Dismed chegou a pedir ao TRF-5 a anulação de
provas produzidas pela operação, incluindo a captação ambiental que colocou
Allyson Bezerra no inquérito.
Allyson é um dos principais nomes alcançados pela
investigação. Foi alvo de busca e apreensão e aparece em documentos da apuração
como figura central da estrutura investigada. A defesa do candidato nega
envolvimento em irregularidades e sustenta que não existem provas que o
vinculem diretamente ao suposto esquema.
O ponto que mais preocupa politicamente é o tamanho do material
apreendido. A investigação já avançou sobre contratos, movimentações
financeiras, diálogos e aparelhos eletrônicos, enquanto reportagens baseadas
nos autos apontam que a apuração alcançou outros municípios.
Não é possível afirmar, sem manifestação da própria PF ou
decisão judicial, que uma nova fase esteja determinada ou que a investigação
necessariamente chegará a crimes fora da área da saúde. Mas o volume de
informações ainda sob análise mantém aberta a possibilidade de novos
desdobramentos.
É justamente aí que mora o maior problema para Allyson: enquanto a Mederi permanecer aberta, ninguém pode assegurar até onde a Polícia Federal conseguirá chegar.
Robinson Pires
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