O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro,
conhecido como Marcola, deixou nesta quarta-feira 5 a campanha à reeleição do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ex-chefe de gabinete do petista, ele
pediu para sair da equipe após a Polícia Federal identificar uma transferência
financeira feita pela empresária Roberta Luchsinger, investigada por suspeita
de tráfico de influência no governo federal.
Marcola afirma que o pagamento se referia a um empréstimo
pessoal feito em caráter privado e já quitado por meio de uma transferência
bancária de R$ 249 mil. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha,
filho mais velho do presidente. Os dois são investigados pela PF em inquéritos
sobre uma possível atuação irregular em órgãos federais.
A empresária também é apontada nas investigações como
lobista em negócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do
INSS, personagem central do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e
pensões.
Após a divulgação do pagamento, Marcola conversou com Lula e
pediu para deixar a campanha, com o objetivo de evitar que o episódio atingisse
a candidatura. Ele contratou o advogado Georges Abboud e informou que se
dedicará à própria defesa nos próximos dias.
Na noite de terça-feira 4, ministros já defendiam
reservadamente a saída do assessor do comitê eleitoral. Marcola havia deixado a
chefia de gabinete da Presidência em 21 de julho para integrar o comando da
campanha petista.
Na equipe eleitoral, ele trabalhava ao lado de Gilberto Carvalho,
chefe de gabinete de Lula durante os dois primeiros mandatos presidenciais. Os
dois eram responsáveis pela organização da agenda e dos compromissos do
candidato, função que também exerceram na campanha de 2022.
Em duas notas divulgadas na terça-feira, Marcola afirmou que
sempre atuou com ética e colocou seus dados financeiros à disposição das
autoridades. “Em primeiro lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão
integralmente à disposição da Justiça”, escreveu.
O ex-assessor também negou qualquer irregularidade na relação
financeira com Roberta. “Faço isso para deixar claro e público que jamais houve
nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela (Roberta Luchsinger),
pago com a transferência bancária de R$ 249 mil – uma movimentação estritamente
privada”, declarou.
Marcola começou a trabalhar com Lula há 11 anos, em São
Paulo, e se tornou um dos auxiliares mais próximos do presidente. Antes disso,
integrou a equipe do Instituto Lula, trabalhou na Prefeitura de São Carlos
durante a gestão de Newton Lima (PT) e foi assessor parlamentar de Edinho
Silva, atual presidente do PT, e de Vicente Cândido na Assembleia Legislativa
de São Paulo.
Quando Lula foi preso em 2018 no âmbito da Operação Lava
Jato, Marcola mudou-se para Curitiba e permaneceu na cidade durante os 580 dias
em que o petista ficou detido na Superintendência da Polícia Federal. Lula foi
libertado em novembro de 2019.
Responsável por organizar a agenda presidencial, Marcola
também filtrava os telefonemas dirigidos a Lula, que não utiliza celular. O
assessor mantinha atuação reservada e não costumava conceder entrevistas.
Por O Correio de Hoje
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