Olho D'água do Borges/RN -

Depois de Rosalba, Robinson e Fátima, o RN não merece outro ciclo de retrocessos com Allyson Bezerra

 

O Rio Grande do Norte chega às eleições diante de uma escolha que pode definir seu futuro por muitos anos. Depois de atravessar os governos de Rosalba Ciarlini, Robinson Faria e Fátima Bezerra — administrações que, por razões diferentes, deixaram marcas profundas na economia, na infraestrutura, na saúde, educação e na segurança pública — o estado não pode se dar ao luxo de iniciar um novo ciclo cercado de dúvidas sobre a forma de governar.

Foram 16 anos de sucessivas crises. O RN conviveu com colapso fiscal, estradas abandonadas, hospitais enfrentando falta de insumos, dificuldades para manter serviços essenciais e uma sensação permanente de atraso em relação a estados vizinhos que conseguiram avançar em investimentos e desenvolvimento.

É justamente por esse histórico que a possibilidade de uma gestão comandada por Allyson Bezerra merece uma reflexão cuidadosa por parte do eleitor.

Sua administração em Mossoró construiu uma forte presença nas redes sociais e na comunicação institucional, mas também acumulou críticas sobre a condução do governo. Servidores públicos apontaram perda de direitos e conflitos com a gestão. Professores questionaram a política adotada em relação ao piso nacional da categoria. Além disso, aumento abusivo do IPTU, e a concentração das decisões no gabinete do prefeito alimentou críticas de excesso de centralização administrativa.

Também não faltaram polêmicas envolvendo a Prefeitura de Mossoró. A gestão teve contratos e licitações questionados por órgãos de controle, incluindo discussões sobre o projeto do Nogueirão, gastos com decoração natalina e outras contratações que passaram pelo escrutínio do Tribunal de Contas, do Ministério Público e de investigações conduzidas pelas autoridades competentes. No caso da Operação Mederi, por exemplo, há investigações da Polícia Federal relacionadas a contratos da área da saúde, tema que permanece sob análise dos órgãos responsáveis.

Independentemente do desfecho dessas investigações, o volume de controvérsias já deveria servir de alerta para quem pretende entregar o comando do estado a esse modelo administrativo.

O Rio Grande do Norte precisa, antes de tudo, recuperar sua capacidade de crescer. Precisa de um governo que fortaleça a infraestrutura, atraia investimentos, gere empregos, valorize os servidores públicos e administre os recursos com estabilidade institucional. O estado já pagou caro demais por experiências que terminaram em frustração.

O eleitor não deve decidir apenas pelo marketing, pelos vídeos bem produzidos ou pelas caravanas eleitorais. A escolha precisa ser feita olhando para resultados concretos, para a capacidade de diálogo e para o histórico administrativo de quem pretende ocupar a cadeira mais importante do estado.

Se os últimos 16 anos ensinaram alguma coisa, é que o Rio Grande do Norte não suporta outro governo que aprofunde seus problemas estruturais. Um novo ciclo de conflitos, incertezas e questionamentos administrativos pode representar mais um período de atraso para um estado que já perdeu tempo demais.

Mais do que escolher um nome, o povo potiguar precisa escolher um rumo. Porque, quando o governo falha, quem paga a conta é sempre a população. 

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