Enquanto tenta contornar a insatisfação na chapa de
candidatos a deputado estadual provocada pela prioridade dada à candidatura de
Cínthia Pinheiro, o candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, agora
enfrenta um novo foco de desgaste. Desta vez, o problema está na nominata de
deputado federal.
A nova crise envolve os deputados federais Benes Leocádio e Robinson
Faria. Benes teve seu nome citado no noticiário sobre o Banco Master após a
divulgação de informações indicando que o motorista de Daniel Vorcaro teria
acessado diversos gabinetes na Câmara dos Deputados. Em um dos registros de
entrada, consta uma visita ao gabinete de Benes.
Nos bastidores, porém, a interpretação é outra. Benes teria concluído que
a informação foi repassada à imprensa pelo ex-deputado Fábio Faria, filho de
Robinson. O objetivo seria associá-lo ao escândalo envolvendo o Banco Master e
provocar desgaste junto ao eleitorado potiguar.
O episódio aprofundou a crise interna de uma chapa que já vinha convivendo
com sucessivos atritos desde a desistência de Kelps Lima. Na ocasião, Kelps
afirmou ter sido traído por João Maia, Benes Leocádio e Robinson Faria,
deixando um ambiente de desconfiança que nunca mais foi superado.
Agora, o clima de convivência praticamente desapareceu. A relação entre os
integrantes da nominata tornou-se marcada pela desconfiança, e já há quem
admita a possibilidade de invasão das bases eleitorais uns dos outros, rompendo
um dos principais pactos de convivência em disputas proporcionais.
Com o ambiente nesse nível de tensão, cresce a percepção de que Allyson
Bezerra já não consegue mais administrar os conflitos internos. O cenário passa
a caminhar para uma disputa fratricida, em que os próprios integrantes da chapa
acabam se enfraquecendo mutuamente na disputa por votos.
Tanto a crise na chapa de deputado estadual quanto o acirramento da
disputa na nominata federal acabam respingando diretamente na candidatura de
Allyson. Na tentativa de evitar desgaste, o candidato tem adotado uma postura
discreta diante dos conflitos.
Nos bastidores, porém, cresce entre aliados a avaliação de que a ausência
de uma atuação mais firme do líder tem ampliado o sentimento de abandono entre
integrantes das chapas, com potencial para produzir reflexos eleitorais em sua
própria campanha.
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