O senador Rogério Marinho (PL-RN) tem boa memória. Ele
lembra que Lula (PT), preso, manteve livre articulação política e comandava o
PT do cárcere, onde cumpria pena por corrupção e lavagem de dinheiro. Mas Jair
Bolsonaro não pode ver o filho Flávio por 90 dias. Lula recebeu inúmeras vezes
ao menos 15 aliados, incluindo Fernando Haddad (PT), candidato a presidente por
ele designado do xilindró, e escrevia cartas sem censura. Flávio Dino era
governador do Maranhão e visitou o encarcerado em maio de 2019.
"Vale lembrar que o
senador Flávio Bolsonaro é também advogado de seu pai. A proibição de contato
viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu
representado".
Agora, em julho de 2026, Bolsonaro escreveu uma carta de apoio à pré-candidatura
presidencial do filho mais velho. Na mensagem, conclamou apoiadores a se unirem
em torno de Flávio.
"O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos
de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato
à Presidência, Flávio Bolsonaro." Dizia o
texto de Bolsonaro
A carta foi lida por Flávio durante uma transmissão
ao vivo nas redes sociais, no fim de semana.
Depois da divulgação, Moraes proibiu o senador de voltar a visitar o pai e apontou a hipótese de campanha eleitoral antecipada.
Lula divulgou carta em setembro de 2018
A
comparação entre os dois casos ganhou força porque tanto Lula quanto Bolsonaro
divulgaram cartas de conteúdo político enquanto estavam privados de liberdade
durante anos eleitorais.
Em
setembro de 2018, depois de ter a candidatura à Presidência barrada pela
Justiça Eleitoral, Lula escreveu uma carta anunciando Fernando Haddad como
substituto dele na disputa presidencial. No texto, pediu votos para o então
candidato do PT.
"Quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República", dizia o texto de Lula. A carta foi lida publicamente por Haddad e passou a integrar a campanha eleitoral.Quem liberou o vai-e-vem na cela do encarcerado foi Ricardo Lewandowski, que anos depois se tornaria ministro da Justiça de Lula.
A lista tem outros nomes do PT, como Fátima Bezerra,
Wellington Dias, Camilo Santana, Jaques Wagner, Rui Costa e Gleisi Hoffmann.
Não petistas: Manuela d’Ávila (PcdoB), Guilherme Boulos
(Psol), Renan Calheiros (MDB), Roberto Requião (MDB) e Jandira Feghali (PcdoB).
Houve ainda visitas dos políticos argentinos Alberto Fernández e Pérez Esquivel, também amparados por autorização judicial.
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