O Governo do Rio Grande do Norte retirou R$ 25,712
milhões do orçamento da Secretaria de Estado da Educação (Seec-RN) para
garantir o pagamento de benefícios salariais a membros do Ministério Público do
Estado (MPRN). O remanejamento dos recursos ocorreu após recuo da gestão
estadual: inicialmente, a equipe econômica apontou inviabilidade fiscal e
financeira para atender ao pedido nos moldes apresentados. Posteriormente, o
Governo encontrou na anulação de uma dotação da Educação a fonte para
viabilizar a suplementação. A opção foi anular dotações da área educacional
para viabilizar o repasse. O decreto que libera o remanejamento foi publicado
em 15 de julho.
Segundo documentos referentes ao processo, os recursos
foram remanejados como crédito adicional suplementar, após pedido do MPRN feito
em 3 de junho. Os recursos cobrem o pagamento da Parcela de Valorização por
Tempo de Antiguidade na Carreira (PVTAC) e da gratificação por exercício
cumulativo de atribuição referentes a 2026.
A PVTAC é um benefício que adiciona 5% ao salário a cada
cinco anos dedicados à carreira jurídica, podendo chegar a até 35% de acréscimo
por antiguidade. A mobilização para garantir os pagamentos das categorias do
Judiciário e MP ganhou força após o Supremo Tribunal Federal (STF) limitar, em
março, o pagamento de verbas indenizatórias acima do teto constitucional (R$
46.366,19). Em julho, o STF liberou o pagamento da PVTAC.
Afirmando não ter espaço no próprio orçamento, o MPRN
solicitou o crédito adicional ao Executivo argumentando urgência e
caracterizando o impacto financeiro como “imediato, obrigatório, juridicamente
imposto e permanente”.
A primeira resposta do Estado foi negativa. A Secretaria
da Fazenda (Sefaz-RN) apontou a inviabilidade momentânea do pleito,
justificando a decisão com a frustração nas receitas estaduais e os limites de
gastos impostos pela legislação. No entanto, o cenário mudou após o processo
circular por outras pastas e órgãos.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE-RN) concluiu pela
legalidade do pedido por se tratar de uma obrigação imposta pelo STF. Na fase
final, a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) encontrou a solução:
remanejar o valor do orçamento da folha de pessoal da Educação Básica, Cultura,
Esporte e Lazer.
Do total de R$ 25.712.000, R$ 15,76 milhões são para pessoal
ativo, R$ 5,8 milhões para pessoal inativo, e R$ 4,152 milhões para
pensionistas. O impacto financeiro, no entanto, deve crescer.
Documentos do MP ilustram que a conta será ainda maior no
próximo ano. Como os meses de janeiro a abril não foram contemplados em 2026,
devido à data de publicação do acórdão do STF, a previsão é de que a despesa
exija R$ 39.159.000,00 do orçamento já para 2027.
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