Desde a oratória nos palanques da República Velha,
passando pelo rádio getulista, até alcançar o horário eleitoral gratuito na
televisão e agora as plataformas digitais, as campanhas eleitorais registram
uma sucessão de mudanças e dinâmicas de comunicação.
Temos nesse contexto a pesquisa de intenção de votos que
ganhou dimensão ao se transformar em ativo estratégico de comunicação
eleitoral.
As pesquisas são instrumentos científicos capazes de
qualificar e quantificar a opinião do eleitor. Legítima e metodologicamente
rigorosa, elas contribuem para a qualidade do debate democrático.
Só que ao longo do tempo, as pesquisas passaram por uma
metamorfose e hoje são usadas para tentar manipular a opinião pública.
Nos últimos dias, uma enxurrada de pesquisas com resultados
polêmicos deixou o eleitor potiguar confuso. Teve pesquisa que colocou Cadu
Xavier, do PT, liderando o cenário à sucessão estadual. Outra foi divulgada com
Álvaro Dias, do PL, em primeiro lugar; e uma terceira sondagem veio com Allyson
Bezerra, do União Brasil, na liderança.
As sondagens foram realizadas no mesmo período e sem um fato
novo capaz de alterar o humor do eleitor. Parece bem claro que alguém está
querendo manipular a opinião do eleitor.
Isso acontece porque não há uma fiscalização rígida, eficaz,
por parte da Justiça Eleitoral, para inibir esse crime contra a opinião pública
e aplicar as punições previstas em lei.
O fato é que políticos e grupos passaram a usar pesquisas
manipuladas para desestabilizar adversários, atrair financiadores e manipular
eleitores indecisos.
As pesquisas suspeitas violam a opinião pública e fazem um
mal terrível à democracia.
De sorte, o próprio cidadão eleitor está mais consciente,
precavendo-se e cada vez mais dando pouco crédito às pesquisas eleitorais dos
chamados institutos fundo de quintal.
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