O plenário
da Câmara aprovou, na noite desta quarta-feira, 27, em primeiro
turno o texto-base da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que
acaba com a escala 6×1.
Foram 472 votos sim e 22
não. No segundo turno foram 461 votos sim e 19 não.
A PEC reduz a carga
horária semanal será sem redução de salários e haverá uma transição para chegar
às 40 horas. Depois de 60 dias da publicação da futura emenda constitucional,
já valerão os dois dias de descanso remunerado por semana, um dos quais preferencialmente
aos domingos. Mas, em um primeiro momento, a carga horária será de 42 horas
semanais; um ano depois, a jornada será de 40 horas.
As questões
específicas atribuídas a cada seguimento de trabalhador serão definididas por meio de projeto de lei
complementar.
A pauta –
capitaneada pela deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) – ganhou reforço do
governo Lula nos últimos dois meses em virtude dos problemas
de popularidade do petista. Desde o ano passado, Lula a
desaprovação de Lula oscila na casa dos 40% sem sinais de melhora.
Lula enxerga na PEC uma
espécie de ‘bala de prata’ para conseguir ser reeleito em outubro, principalmente
após o fiasco político da aprovação da reforma do imposto de renda.
Os petistas acreditam que Lula conseguirá atrair, principalmente, o trabalhador mais pobre e que ganha até 3
salários mínimos, a principal faixa beneficiada pelo fim da escala 6×1.
O texto foi
protocolado pela deputada federal Érika Hilton em fevereiro do ano
passado, mas passou um ano sem grandes avanços no Congresso, sendo alvo
apenas de discussões em grupos temáticos.
Apenas em 22 de
abril deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a
admissibilidade das PECs que tratam do tema depois de receber o aval também do
presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Para que a proposta
avançasse rapidamente na Casa, o texto foi apensado à PEC 221/2019, do deputado
Reginaldo Lopes.
Em pouco mais de 30 dias
de debates e discussões, a PEC foi aprovada também na comissão especial. Como
mostramos mais cedo, o texto passou pelo colegiado nesta quarta-feira mesmo diante da obstrução da bancada do PL na
Casa. Foram 34 votos a favor e apenas quatro contrários. Votaram contra os
deputados Maurício Marcon (PL-RS), Osmar Terra (PL-RS), Julia Zanatta (PL-SC) e
Gilson Marques (Novo-SC).
A tratorada de Motta na PEC da escala
6×1
A votação da PEC
que acaba com o regime 6×1 ocorreu em total desacordo com normas regimentais da
Câmara. O presidente da Cara, por exemplo, emendou às propostas do PT e de
Erika Hilton outras propostas que versavam sobre a jornada de trabalho, mas sem
qualquer discussão sobre a íntegra do texto.
O PL para constranger o
governo, por exemplo, apresentou uma emenda à PEC para estabelecer a escala
4×3. No final, o substitutivo do partido de Jair Bolsonaro foi apensado à
proposta de emenda constitucional, mas o que prevaleceu foi o relatório do
deputado Leo Prates (Republicanos-BA).
O Antagonista
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