A pesquisa AtlasIntel/94FM divulgada ontem provocou
forte repercussão no cenário político potiguar ao apresentar números
completamente diferentes dos levantamentos e divulgados até aqui no Rio Grande
do Norte. Pela primeira vez, o ex-secretário estadual Cadu Xavier aparece na
liderança da disputa pelo Governo do Estado, ultrapassando nomes que vinham
dominando as pesquisas anteriores.
O dado que mais chamou atenção, no entanto, surgiu na
disputa para o Senado: Samanda Alves apareceu numericamente à frente do senador
Styvenson Valentim, político que tradicionalmente figura entre os nomes mais competitivos
e lembrados do estado.
Veja os números para o Governo do Estado:
Na disputa para o Senado:
O levantamento ganhou ainda mais repercussão por ter
sido realizado pela AtlasIntel, instituto de atuação nacional e reconhecimento
internacional, com metodologia própria e custo estimado em R$ 60 mil — valor
muito acima do praticado pela maioria dos institutos que atuam no Rio Grande do
Norte.
Apesar da credibilidade nacional da AtlasIntel, os
números apresentados causaram surpresa até entre observadores experientes da
política potiguar. O cenário exposto pela pesquisa contrasta fortemente com
praticamente todos os levantamentos divulgados anteriormente no estado.
Diante disso, surgem questionamentos inevitáveis: ou a
AtlasIntel identificou uma mudança brusca e silenciosa no comportamento do
eleitorado potiguar, ou os institutos locais vêm enfrentando dificuldades
metodológicas relevantes para captar a realidade política atual. Existe ainda a
possibilidade de o levantamento apresentar distorções que precisarão ser
confirmadas — ou desmentidas — pelas próximas pesquisas.
Outro ponto que aumentou a desconfiança foi uma
inconsistência entre o registro oficial da pesquisa e os números divulgados
publicamente. No sistema de registro, a previsão era de 1.000 entrevistas.
Entretanto, na apresentação dos resultados foram contabilizados apenas 962
entrevistados, diferença que não recebeu explicação detalhada. Embora a variação
possa ocorrer por critérios técnicos, a ausência de esclarecimento acabou
alimentando dúvidas sobre a transparência do levantamento.
No momento, o cenário exige cautela. Mais do que uma tendência consolidada, os números da AtlasIntel ainda parecem um ponto fora da curva dentro do processo eleitoral potiguar. As próximas pesquisas serão decisivas para mostrar se houve, de fato, uma mudança real no humor do eleitorado ou apenas uma oscilação isolada.
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